A caminhada: relembre a trajetória do título histórico do Monte Cristo
Divulgação - CBV
Paulo Martins: técnico e mentor do projeto do Monte
Cristo Foto: Alexandre Arruda - CBV
Nesta segunda-feira o Monte Cristo fez história ao levar o vôlei goiano para a elite do esporte nacional. No entanto, a trajetória começou a ser traçada há muito tempo. O projeto existe desde 1988, mas a caminhada rumo à Superliga começou em 2007. A arrancada definitiva ocorreu no fim do ano passado, quando a equipe foi convidada pela Confederação Brasileira de Vôlei para participar da segunda divisão do vôlei masculino brasileiro.
O convite veio após a quarta colocação na Liga Nacional, uma espécie de terceira divisão do esporte no país. As dificuldades para encontrar apoio financeiro e bons reforços foram sendo superadas à medida que os resultados apareciam. A recompensa veio nesta segunda, com o título da competição. O Monte Cristo terminou a competição com 14 vitórias e apenas uma derrota, 43 sets vencidos, e 13 perdidos.
relembrando toda a caminhada da equipe goiana nos 15 jogos que deram ao Monte Cristo o direito de estar entre as melhores equipes de vôlei brasileiras.
Começo tranquilo
A primeira fase foi disputada no sistema Grand Prix, em dois grupos. Foram quatro rodadas de três jogos, cada uma realizada na casa de uma das equipes. A primeira rodada foi disputada em Atibaia, entre os dias 18 e 20 de janeiro, no ginásio Elefantão, e foi quase perfeita para o time goiano. A estreia na competição foi contra a seleção brasileira infanto-juvenil, e o Monte Cristo conseguiu vitória tranquila por 3 sets a 0 (25-23, 25-18, 25-18).
Em seu segundo confronto, a equipe do técnico Paulo Martins perdeu seu único set em Atibaia. Diante do Chapecó, a equipe goiana venceu por 3 sets a 1 (21-25, 25-21, 25-20 e 25-21). No encerramento da rodada, o Monte Cristo não tomou conhecimento dos donos da casa e triunfou no primeiro dos cinco confrontos que fez contra o Atibaia, com fáceis 3 sets a 0 (25-16, 25-20 e 25-22).
A segunda rodada do Grupo A foi disputada em Chapecó, no ginásio Ivo da Silveira. Novamente, os goianos sobraram. A primeira vítima novamente foi o Brasil Sub-19. Os garotos da seleção brasileira até criaram mais dificuldades que na primeira rodada, mas o Monte Cristo fez 3 a 0 sem maiores problemas. O placar se repetiu na segunda partida, diante dos donos da casa, contra o Chapecó.
No terceiro confronto, o time goiano teria a certeza de que o Atibaia seria seu principal adversário em sua chave. Foi a vitória mais apertada na primeira fase, que veio no tie-break em um confronto bastante equilibrado por 3 sets a 2 (25-19, 26-24, 23- 25, 21-25 e 18-16).
Única derrota na competição foi contra o Brasil
Sub-19 Foto: Paula Falcão - O Popular
Etapa goiana e primeira derrota
Único invicto de toda a competição, o Monte Cristo partiria para seus primeiros jogos frente à torcida. A terceira rodada foi disputada em Goiânia, no ginásio Sesi Ferreira Pacheco, onde a equipe mandou todas suas partidas na capital. A boa campanha até então chamou a atenção dos goianos, que lotaram o Sesi em todas as três partidas. O presente para a torcida veio de forma triunfal no primeiro jogo.
Diante do Atibaia, Paulo Martins decidiu retirar seu principal pontuador, Vivalde, e escalou Cristiano, que a partir dali, se tornaria em um dos principais jogadores da equipe. A vitória por 3 sets a 0 colocou de vez a equipe goiana entre os favoritos na competição. No entanto, a empolgação daria lugar ao sinal de alerta no jogo seguinte.
A maior zebra do torneio aconteceu no dia 23 de fevereiro. A ótima campanha, o calor da torcida, e jovem time pela frente – com jogadores de 17 anos – poderiam dar como certa a vitória dos goianos. Entretanto, o triunfo fácil deu lugar aos vários erros, desatenção e uma derrota surpreendente.
Assim o Brasil conseguiu a sua única vitória na Superliga B, ao bater o Monte Cristo por 3 sets a 1. A lição foi aprendida e a equipe goiana se recuperou no jogo seguinte, quando venceu o Chapecó por 3 sets a 1 e assegurou a vaga na semifinal.
Monte Cristo terminou a competição com 14 vitórias e apenas uma derrota, 43 sets vencidos, e 13 perdidos.
Passeio na rodada final e sufoco na semi.
A última rodada não teve percalços. Em Saquarema, na casa da seleção brasileira, o Monte Cristo venceu os três jogos sem dificuldades. A primeira partida veio logo para apagar a má impressão deixada no revés em casa. Liderados pelo oposto Cristiano, a equipe goiana venceu seu único algoz no torneio, o Brasil sub-19, por 3 sets a 1, e garantiu a primeira posição no Grupo A.
Os dois jogos da última rodada foram só para confirmar a supremacia em sua chave e para cumprir tabela. O Monte Cristo bateu o Chapecó por 3 sets a 0 e no encerramento da primeira fase venceu, pela quarta vez, o Atibaia, por 3 sets a 1. Os goianos se preparariam para enfrentar o segundo colocado do Grupo B, o Olympico-MG, na semifinal.
O primeiro duelo contra os mineiros aconteceu em Belo Horizonte, no ginásio do Olympico Club. Os goianos tiveram um verdadeiro teste de regularidade e controle psicológico. Após abrirem 2 sets de vantagem sem dificuldades, Paulo Martins viu sua equipe ser superada pelos jovens da equipe adversária nos dois sets seguintes. Diante da situação, mais que qualquer conselho técnico ou tático, o treinador deu apoio mental à sua equipe para ir de cabeça erguida ao tie-break. Deu certo, e o Monte Cristo fechou a partida por 3 sets a 2.
A classificação para a final seria decidida em casa, onde a única derrota goiana acontecera. A desconfiança chegou a surgir quando, assim como no confronto anterior, o Monte Cristo abriu ótima vantagem e viu a reação adversária. No entanto, ao contrário do jogo inicial, a reação do Olympico-MG parou no terceiro set, e a equipe goiana venceu por 3 sets a 1.
Monte Cristo levanta a taça de campeão na Superliga B Foto: Fernando Vasconcelos
Favoritismo confirmado e acesso consolidado
Com amplo favoritismo, o Monte Cristo entrou em quadra para barrar o embalado Atibaia. As quatro vitórias na primeira fase caíram por terra com as duas vitórias surpreendentes dos paulistas, fora de casa, frente ao São José dos Campos, nos dois jogos finais da série melhor de três da semifinal. Com cautela, a equipe goiana se preparou para o jogo único da decisão.
Tudo parecia que correria tranquilamente quando os goianos abriram 2 sets a 0. Mas, liderados por Sullivan, o Atibaia reagiu no terceiro set e cresceu na partida. Quando a final parecia se caminhar para o tie-break, a torcida empurrou a equipe goiana, e, com um erro de Pedrão, o Monte Cristo venceu sua 14ª partida na Superliga B e garantiu um lugar entre os principais times do vôlei brasileiro.
GE - Goiânia




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