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Vergonha do "bairrismo": agressão por uma camisa

Divulgação - Internet
Estaremos compartilhando o texto abaixo, com nossos leitores, o mesmo foi postado na rede social da autora: Caroline Almeida após o jogo da última quarta-feira, 29, entre Goiás e Corinthians. Em seu relato a torcedora descreve do início ao desfecho a situação vivenciada na noite da partida.


Um cara com a camisa do Goiás gritou: "Olha o corintiano ali!". E apareceu uma multidão para tirar satisfação com aquele senhor, acusando-o de ser um “falso goiano”


Caroline Almeida

Indo embora após a partida entre Goiás e Corinthians nesta quarta-feira, 29, pelo estacionamento do lado sul, vi um homem de cerca de 50 anos tomar um soco no rosto, vindo de um menino de cerca de 13 anos. Um moleque! O senhor estava com a camisa do Corinthians. Iria subir as escadas rumo à rampa e um grupo de esmeraldinos o aconselhou, pacificamente, a não subir. Ele não entendeu e perguntou o motivo. Para começar, já é absurdo você ter de avisar para alguém que ele não pode ir a tal lugar, buscar seu carro ou seja o que for, porque existe o risco de ele ser agredido. Não há mais o "ir e vir" em paz pra essa pessoa.

Ainda estavam explicando a ele os motivos, quando logo chegou outro grupo de torcedores do Goiás, ainda pacificamente, perguntando ao tal homem se ele era goiano. Ele disse que não, explicou de onde era e foi saindo. Ao longe, na rampa, um cara com a camisa do Goiás gritou: "Olha o corintiano ali!", e apareceu uma multidão de “verdadeiros goianos” para tirar satisfação com o senhor torcedor do Corinthians. Fato destacado, a propósito, pelas palavras de ordem bradadas pelos mesmos, acusando o outro de ser um “falso goiano”. Eu nem deveria dizer “tirar satisfação”, porque ninguém ali fez questão de ouvi-lo.

Mandaram-no tirar a camisa. Ele olhou para o grande número de esmeraldinos que estava a sua volta e fez menção de tirá-la. Mas, antes que pudesse fazê-lo, o moleque que estava naquele grupo o atingiu com um murro. Ouvi o barulho e me assustei. Eu, que estava assistindo tudo de muito perto, não esperava aquilo. E o senhor caiu, diante da intensidade do golpe. Ele tentava se recuperar, levantando e tirando a camisa e os demais se preparavam para bater nele. Eu me aproximei e comecei a gritar para que se afastassem, porque ele já estava entregando a camisa. 

Interferi por ódio da minha própria torcida. Ódio daqueles que por um simples efeito manada, saem em direção ao outro, com intenção de agredir. De matar. O único erro daquele senhor foi ficar perdido na hora de ir para o próprio carro. E então, um bando de marginais - me recuso a chamar de torcedor quem age de tal forma - se sente no direito de fazer uso da violência com ele. Eu gritei e o defendi. E fui xingada pela torcida que vestia a mesma camisa que eu, mas de quem, ali, eu não tive nenhum orgulho de ser semelhante.

Você, que se acha superior por carregar esse movimento bairrista no peito, veja até onde vai sua vontade de defender sua terra. Ser (ou pensar ser) bairrista não impede o uso da sua racionalidade. E, mais importante ainda, não deturpe uma causa que tem tão boas intenções em suas origens. Ideologias não podem ser sobrepostas à liberdade de cada um. Situações como essa, a propósito, não ocorrem apenas por puro conteúdo ideológico. Ocorrem por falta de educação e de princípios. 

Infelizmente essa causa bairrista, que surgiu há certo tempo nas torcidas de times goianos, deixa brechas para esse tipo de atitude. Brechas para que pessoas de má índole a utilizem como escudo para atitudes de vandalismo. Já passou da hora de seus criadores, os verdadeiros responsáveis por esse movimento, que sabem a real motivação de tudo isso - a valorização do futebol goiano -, deixarem de aceitar que isso seja deturpado por indivíduos como esses. Esmeraldina que sou, vejo a nossa torcida sendo odiada Goiânia afora por causa de atitudes como essa. Já somos vistos como malquistos, como torcedores arrogantes e que vivem de conversa fiada de bairrismo. Está tudo errado: a intenção não é aproximar os demais e crescer? Não é o que está acontecendo..

Como bem disse uma sábia amiga socióloga, é hora de agirmos e assumirmos nossa responsabilidade nisso. Temos de retirar esses marginais da proteção do sistema que nós mesmos criamos.
Respeito só faz mal quando falta!






Caroline Almeida é fotógrafa e acadêmica de Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás.
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